La hacienda
Eu sou psicólogo. Sou um bundão, carrego uma pasta e uso cavanhaque. Nunca havia ouvido falar, em termos de ciência, como área do conhecimento, de subconsiente, isto é, nunca li nehum autor discorrendo sobre o subconsciente, conceito tão comumente utilizado no senso comum, porém é algo inexistente. Existe sim o subzero, do mortal combate, mas de subconsciente nunca li nem ouvi nada, acadêmicamente falando. Mas é absurdamente explorado em novelas e conversas informais em mesa de bar ou cabelereiro. Freud, que sabia-se-lá vai que era cabelereiro, falou de consciente, insconsciente e pré-consciente. Muita gente tem razão sobre tudo. É comum notar em nosso meio social que sempre tem um alguém que se dá ao luxo de discorrer doutamente sobre determinado assunto. Podemos até citar a temática do subconsciente: você com certeza já ouviu alguém ou já proferiu sábias palavras (o que mais poderia proferir...?) sobre o subconsciente, mas agora sabe que essa coisa não existe. Essa é a verdade. Todo mundo sempre tem razão para tudo. Você, por exemplo, frequentemente ao acabar de ler um post em determinado blog, vai, com ar de mestre, argumentar certeiramente sobre o tema, e com certeza sempre encontrar uma solução, uma saída para tudo. Mas você não entende que não há saída, para nada, estamos todos perdidos. Dentro de nossas casas. Ou ao redor delas. Assim como aquele cara que participou e demonstrou com graça elegância, e sem camisa ao chamar os outros de "perinhas" toda a bestialidade da raça humana naquele programa de reallity show.
Escrito por ninguém às 09h49
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Oração
Meu teclado está aqui na minha frente tão certo como o ar empoeirado que eu dificultosamente respiro, em pé, na cidade, com crise asmática. Meu teclado está aqui na minha frente tão certo quanto eu duvido que o amanhã se levantará, sem fé, ao menos com bons frutos. Será? Meu teclado está aqui na minha frente, tão certo quanto eu não consigo estabelecer, mané, nenhuma forma de blábláblá, de comunicação. Ao menos, se cantasse um sambinha "párá-pára-pará", de cartola ou de boné, ou se parar pára pensar, este não é um texto que se ouve enquanto se ora. Tem que ler e cantar sem decorar, de coração, enquanto se fode. Cor oração ora - se fode ação corra corá cora cora ção qual é, a rel ação.
Escrito por ninguém às 19h21
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Bigodinho e outras pessoas
Algumas pessoas a gente não esquece, sabe-se lá porque, e acontece que vez por outra relembramos de certa gente que até nos estranhamos por isso. Um desses casos é Bigodinho. Bigodinho era um cara que conheci há algum tempo, pelas ruas do bairro e adjacências, e sabia-se que que era usuário crônico (OMS) de drogas. Quando estava com a gente, era tranquilo, conversava numa boa, etc, sem mais delongas, usando ou não a porcaria percepto-dissonante. Outras pessoas não são (consideradas) dependentes químicas, mas mesmo assim ou nem por isso conversam com a gente numa boa. Bigodinho, sabia-se, parece que cometia crimes, assaltava pessoas para comprar suas substâncias psicoativas. Por vezes, em outras situações era extremamente educado com gente que sequer conhecia. Outras pessoas que conhecemos no dia aa dia podem não assaltar nem roubar outras pessoas, mas também não são educadas com outras pessoas desconhecidas nem por alguns momentos. Me parece que Bigodinho morreu, sabe-se lá porque, mas ainda me recordo dele. Outras pessoas, por sua vez, sequer morreram, mas já estão esquecidas.
Escrito por ninguém às 20h27
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A maçã
"Se este amor, ficar entre nós dois, vai ser tão pobre amor, vai se gastar...." Não, não é nada disso, não venho aqui cantar raul. Venho relatar um fato: em meu apartamento, existe um vão central de ventilação na cozinha, que engloba a coluna de final 2 (102 a 502). Este vão termina lá embaixo no apartamento 102, o que causa alguns infortúneos para o morador, devido a alguns resquícios de lixo ali depositados, sendo, ainda, alvo de lembretezinhos no elevador. Existe nas laterais deste vão uma coluna horizontal, vamos assim dizer, de alguns centímetros, de modo que alguns objetos que por desventura caem ou são jogados permanecem nestes espaços, tais como cotonetes, bicos de detergentes, restos de incenso e uma maçã. Logo que casei, quando mudei para cá, uma maçã caiu, pulou ou foi jogada nesta coluna horizontal. Não sabemos se existia uma terceira pessoa. Estava, como a gretchen, quase toda comida, mas ainda existia 'carne' nela. Com o tempo, chovia, ventava, fazia sol, e a maçã continuava ali, sem pestanejar ou oscilar. Faz quase um ano já. No entanto, como a gretchen, a maçã apodrece a cada dia que passa. Era uma bela maçã parcialmente devorada quando foi jogada, e agora é um troço preto, apodrecido mas que continua ali. Eu a observo cotidianamente de minha cozinha, e acompanhei de perto seu processo de putrefação, assim como uma mãe caridosa, cuidadora e sofrível acompanharia um filho com câncer terminal. Assim como, também, acompanhamos a carreira da gretchen. Não posso me privar, metafórico que sou, de comparar-me a essa maçã: havia em mim um resto, uma sobra, uma soberba de sonho, de carne, de gente, de ser desejante, que aos poucos, ao cair aonde caiu, permaneceu parado, isolado e apodrecendo, em desperdício se tornando um ponto negro que teima em permanecer no lugar aonde foi arremessado por alguma criança chorona do apartamento de cima. A maçã, se cair dali, certamente não irá renovar-se de suas cinzas, em vista que sua semente já deve estar carbonizada e sordidamente destruída pela voraz ação do tempo. Assim como a gretchen. Mas se ainda houver semente ali que possa vir a vingar, o solo não permitirá, pois ela cairá no assoalho do vizinho de baixo, de piso frio. Logo, será jogada fora. Eu não sei sobre mim; talvez, possa vir a debruçar-me e com a ação voraz mas nem tanto calamitosa do tempo, quem sabe cairei em algum terreno fértil, e essa minha queda possa vir a significar um recomeço. Pois eu não sou uma maçã. Sou um pouco mais ácido, de vez.
Escrito por ninguém às 10h55
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Sopa
Jonas é um jardineiro; gostava de ver as plantas crescerem para então poder ir lá e podá-las. Seu pai nem seu avô mexiam com isso. Mas ele assegura que é um dom nato que deus havia lhe dado - ser bom em cortar mato. Além disso, Jonas amava arrumar as coisas, organizar o que está fora do lugar e colocá-las novamente em seu devido espaço. Jonas também queria ser enfermeiro para curar as pessoas. Gostava de se curar também. Ás vezes deixava o cabelo crescer só para ir lá e ter o prazer de cortá-lo. Recentemente algo começou a preocupar seus familiares: Jonas vivia se machucando, se cortando, pegando de propósito resfriados e outras infecções. Só para se reestabelecer novamente. Mas o que Jonas aparentemente ignorava era que esse dom não era nato, ele aprendeu isso, inconscientemente. Ignorava também o fato de que não era necessário bagunçar as coisas intencionalmente para poder arrumá-las, o mesmo com sua saúde: não era preciso se adoecer de propósito para poder se curar; isso acontece naturalmente: as coisas se desorganizam, a gente normalmente vez por outra adoece, se fere, nos acidentamos. Não era preciso, Jonas, dar sopa ao azar. A vida se encarrega disso.
Escrito por ninguém às 19h11
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O jardim
Estive no jardim, não haviam muitas pessoas por lá naquela hora - estava bem vazio, aliás. Era noite e eu estava só. Mas mesmo assim não me detive e fui em frente, sem temer o pior. Devo adiantar que não era um pomar, mas sim um jardim, de flores como rosas e orquídeas. De fato, haviam alguns espinhos e urtigas lá também. Me diziam outrora que quando a gente encosta em uma urtiga, a gente tem que mijar em cima da área de nosso corpo que tocou na planta para que a irritação passe. Quem dera fosse esse o remédio para a irritação cotidiana que assola boa parte de nós, que não temos plantas em casa e por isso precisamos ir até o jardim. Mas não é. Como disse, naquele momento eu era praticamente o único visitante no jardim, eu estava de passagem por lá. Eu não queria me prolongar por ali, e tratei logo de ir em direção às roseiras, no intuito de conseguir alguns belos botões para florir a minha vida. Ao me encaminhar até a roseira, senti certo receio mas mais uma vez não me detive e prossegui, sem temer o pior. Cheguei até as roseiras. Só que neste momento, dois faróis se aproximaram e, na dúvida sobre de quem seria aquelas luzes que se aproximavam, temendo o pior, a se precaver, as roseiras se aglomeraram no beco onde estavam, e eu de sobressalto, também temendo o pior, me juntei a elas, e uma das roseiras apontou uma bela pistola pretona firmemente apoiada em seus punhos na direção dos faróis, seguindo seu percurso, até que os faróis passaram pelo beco e o perigo momentaneamente se foi. Era uma bela arma aquela empunhada pela roseira armada, tenho que admitir, e ainda tive sorte de não me ferir com os espinhos. De fato, levei alguns botões, e de súbito me pus prontamente a sair correndo dali, com muito, mas muito medo mesmo. Eu prometo nunca mais querer saber de flores novamente.
Escrito por ninguém às 10h02
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Mestre em Psicologia
Como eu queria arrumar um emprego.
Escrito por ninguém às 17h16
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As pessoas
Dose dupla de raízes, sangrentas raízes foi nesse momento o suficiente pra mim. Logo optei por apagar as luzes e pôr um riders on the storm, vocês sabem de quem. >>>>>//>><<<\\<<<<< Tava sem nada pra escrever. Sem nada mesmo, igual aquelas pessoas que não sentem nada por dentro. Tava a tôa e resolvi escrever sobre coisas banais, igual aquelas pessoas que falam constantemente e também diariamente com efusivo entusiasmo sobre coisas banais. Falar sobre a influenza suina H1N1 igual aquelas pessoas falam já perdeu até a graça. A graça seria se tivéssemos que sair todos pela rua de mascarazinha. Ia ser o maior barato... ...falar sobre o ronaldo no corintians como aquelas pessoas falam também já se tornou redundante. Mas, apesar deste incauto buraco em meu sequelado intelecto, não me afligia sobre o que escrever. Por que sempre que vou escrever tenho que ter um motivo, uma razão ou cirscunstância para isso? Decidi deixar essses (bota essess nisssso) questionamemtos para lá e me pus a ligar uma musiquinha enquanto perdia meu tempo aqui escrevendo, igual aquelas pessoas fazem. Decidi pela musica roots do sepultura. Muito legal. Mas quando acabou a música, veio o silêncio e um súbito e denunciante vazio me retomara à realidade verdadeira e incolor... ...foi então que tratei de mais do que depressa apertar o play e ouvir novamente roots blody roots enquanto solitário terminava de escrever este texto tragica sólida e des(em) fumaça genealogicamente em vão. Em vão. Em, vão?
Escrito por ninguém às 19h40
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Nas correntes do desejo
Não estava triste antes de conhecer-te, por isso não sei por que me prendi assim. Antes de completar vinte e poucos anos, você não fazia parte de minha vida. Mas tudo mudou após você aparecer. Alguns amigos sempre me ofereciam, e inclusive pessoas da minha família faziam questão para que eu experimentasse, mas eu nunca havia sentido necessidade para isso. Até ficar adulto. Desde os treze anos eu bebo cerveja, tenho que admitir, mas agora não consigo tomar sequer um gole sem ao menos lembrar de tua existência e desejar ter-te aqui comigo, dentro de meu organismo impávido e desarazoadamente gélido por seu poder. Com você me sinto melhor, sinto-me com mais energia, mais força, e sem você meu calor se esvai, esvazio-me. Quando não te encontro parece-me que não conseguirei levar minha irrisória e tante vida adiante. Fica um rombo em minha alma sonolenta; minha alma impaciente fica tensa por ti. Mas é verdade que nunca foi difícil te encontrar. Não consigo te largar agora: parece que aonde quer que eu vá, você está a me tentar... em bares, na rua, em casa, ou até mesmo na praia te encontro ou a quem queira me vender-te, nem sempre do jeito que eu prefiro, mas assim mesmo isso faz me fazer destruir-me em seus reles prazere-res. Sem ti suo, gaguejo e estremeço. Estou aco-correntado pelo meu sórdido desejo por ti-ti. E u m m e e n t r e g u e i m m e a ti ti co co m o (pluct) um soldado russo fatigado quase perdendo seus membros e desorientado em meio ao gelo a esperar em vão seu oponente e que por desventura agora se entregou à morte em devaneio da própria sorte. Sei que muitos falam que você faz mal à minha saúde, mas mesmo assim eu não consigo largar-te de mão, e assim continuo paradoxo e irracionalíssimamente a me completar e me destruir em você. Desde que conheci o torresmo, ah, o torresmo (com a baba caindo pela força da gravidade e esfregando a língua nos cantos de meus pálidos e ansiantes por gordura lábios) minha vida nunca mais foi a mesma.
Escrito por ninguém às 19h49
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De novo
Em pulsos
Al guns em pulsos tei mam em fa zer par te de minnhas deci sões. Al guns de les teimam em que rer coma ndar minnhas as sões. Algum as ve zes os im pul sos dão luz à meu com porta mento. So u e e u q u e to mo minnhas de cisões? M as qu em é es se e u? E a fin al, so u e u o u me us im pul s.o.s que deli ne.i.am o que fas so? e-o-q ten inhu em minhas mãos? S a u m c o r t e s ?/?\? d o i s s m i u e s s e t e O que tenho em meus pulsos agora? O que tenho em meus pulsos? O que tenho em pulsos? O que tenho em mãos? publicado originalmente em 9 do onze de dois mil e sete
Escrito por ninguém às 17h38
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