Dona Antonieta
Antonieta chegava em seu trampo já desejando que ele acabasse. Todos os dias, já em seu início, desejava seu declínio. Passava os dias esperando ansiosamente por seu fim.
Não que ela era uma aficcionada pela vida noturna - ela não saía à noite. Mas mesmo assim, ao final de cada dia, ela agradecia:´ainda bem que chega a noite`.
Porém ela era dona de casa, não saía de casa para o trabalho. Ela tinha medo de sair de dia.
Todos os dias ela ia na cama de seu filho arrumá-la.
Um dia, porém, seu filho quis ajudar, passou a arrumar a cama, livrando Antonieta desse esforço à mais.
Mas antonieta, como todos os dias, ia na cama de seu filho e arrumava. Mesmo ela estando arrumada, Antonieta sempre puchava o lençol e depois arrumava-o detalhadamente.
E seu filho continuou a arrumar sua cama, mesmo percebendo que sua mãe ia lá e também arrumava.
Mesmo arrumada, Antonieta não saía de casa.
Por que Antonieta tinha medo do dia e da noite.
Além disso, temia por seu filho, por estar na rua durante o dia a às vezes à noite.
Ela temia pelo tombo de seu filho. E não é que um dia seu filho vai e me cai? Ele caiu, foi um tombo razoável. Acontece em qualquer família.
Mas o que preocupava o filho, o que caiu, era que Antonieta sempre queria saber a altura do tombo. Ela sempre contava a altura do tombo, mesmo que seu filho nunca mais tivesse caído.
Mas Antonieta tinha também lados positivos: ela sempre estava arrumada, mesmo que ninguém pudesse vê-la.
Ela, mesmo com pessoas em casa, sempre estava só.
Escrito por ninguém às 11h40
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